sexta-feira, 3 de julho de 2009

O futuro das nossas crianças


O futuro das nossas crianças

Às vezes paro pra refletir como será o futuro das crianças atuais [não me imaginem com 40 anos (risos), tenho 22]. Fiquei a recordar como a minha infância era distinta das que presencio hoje em dia. Claro, não querendo comparações, cada contexto tem seus parâmetros e isso é peculiar de cada época. Mas surge em mim certa preocupação com as diretrizes tomadas a partir das atitudes praticadas no presente. Por exemplo: diversão. As brincadeiras de 10 anos atrás eram mais presenciais, mais dinâmicas, havia uma amizade mais concisa, mais cativante, a criançada brincava na rua, havia mais contato com a natureza e isso propiciava uma melhor interatividade entre corpo e mente. Lembro-me de brincadeiras como pega-pega, pião, bolinhas de gude, soltar pipa, esconde-esconde... Atualmente, nem vejo as crianças na rua. Mas também nem demoro pra encontrá-las, basta ia a uma lan house, ir a uma loja de vídeo games, que facilmente estarão lotadas de crianças vislumbradas por uma virtualidade que cria um mundo paralelo àquele que realmente deveriam ser vividas. Isso pode ser prejudicial? Talvez. Como tudo na vida, existem sempre os ‘dois lados da moeda’, e é preciso analisar até onde essa duplicidade de mundo é importante para o crescimento do indivíduo como ser humano. Sinto saudades daquele tempo que os garotos iam pra rua, brincar de bola, descalços, gritando, zoando pacificamente com o adversário... Sinto falta dos espaços de terra batida, onde os jogos de gude e pião eram a atração do dia! Sinto falta até dos espaços livres no céu, onde um amontoado de fios e os edifícios tomaram conta, poluindo visualmente o campo de diversão! Sinto falta dos pés no chão molhado, das tanajuras que voam nas épocas de trovoadas, brigas com a mãe quando chegava em casa todo sujo e queria dormir assim, por preguiça de tomar banho! Mas isso está acabando, e logo! As crianças preferem horas e horas em jogos eletrônicos, muitas vezes sozinhos, levando a um certo tipo de aversão à sociedade, à convivência em grupo, pois se divertem a sós e não sentem falta de uma boa companhia pra rir e se distrair. As crianças são cada vez menos crianças, as fases ditas naturais são deixadas de lado. Meninas com 9 anos já pensam em maquiagem e salto alto, as de 11 anos estão se preparando pra saírem pra festinhas, curtir a night. Bonecas? Só se for a Barbie acompanhada do Ken, e mesmo assim não se passa muito dos 7 anos de idade. A pré adolescência tomou novos parâmetros. Fico a imaginar o que essas mudanças acarretarão em um futuro não longe, que modos de vida esses futuros adultos terão a passar pra os seus filhos, haverá um esquecimento precoce de uma cultura recente, porém ultrapassada por uma evolução acelerada e contínua, pois já sofremos dessa “desculturalização” proporcionada por uma globalização perversa e excludente. Como diz o famoso clichê:

o futuro a Deus pertence, mas cabe a nós fazer por onde ele ser o mais agradável possível.


Texto e foto: Thiago Maia

Mais fotos em: www.flickr.com/thyagumayah

27 comentários:

Bruno Sampaio disse...

iae gigante, blog massa hein cara?!
gostei do post da senhora no abrigo dos velhos!
se 10% da população pensasse como vc o mundo seria outro!
abração!!

Thiago Maia disse...

Pois é Brunão, seria ótimo mesmo... Enfim, pelo menso eu faço minha parte, ou tento né? Era bom se a história fosse outra... Valeu ai pela visita apareça sempre que puder.

Abração, cuide-se, GIGANTE!!!

Vilane V.B.Rios disse...

Senti até o cheiro de terra molhada, o contato com a natureza, lembrei até da roupa suja de lama... porque assim como você, tive uma "infância real". E me preocupo muito, também, com essa geração que a cada dia troca o seu tempo diário de brincadeiras com os amigos por games e computadores. É uma pena!

Seu texto me deu saudosismo...rs
Adorei!
Bjo

Thiago Maia disse...

Fiquei refletindo isso hoje a noite, ai resolvi dissertar, saiu isso ai, rsrs! Não vejo mais nenhuma brincadeira da minha época: gude, amarelinha, pula corda, esconde esconde, pipa, pia, salva latinha, chicotinho queimou, pega ladrão... Agora pergunta ai os atalhos do pc... Que jogos saem essa semana na game ali da Matriz... [risos]

Mas ainda prefiro o cheiro de terra molhada e o pé preto de jogar futebol de travinha na rua a noite...

BEIJOS VI

Vilane V.B.Rios disse...

kkkkkkkkk é verdade! Eu brinquei de tudo isso...aff vou guardar na memória, quem sabe um dia eu não ensine a alguma criança que se interesse, assim esse patrimônio não morre!
rs
bjo

Thiago Maia disse...

Verdade Vi, seremos arquivos vivos e intinerantes dessa riqueza abandonada. Infelizmente. Seria um bom tema pra alguma reunião no Escalada.

Fernanda disse...

É na infância que se começa a moldar o tipo de adulto que teremos. E não é difícil saber o motivo pelo qual o Brasil está como está, não é?
Não trocarinha minha infância pé no chão, nem por infinitas idas à Disney ou coleção de Barbie que nunca tive.
Vê depois: http://rabiiisco.blogspot.com/2009/04/epoca-boa-aquela.html

Beijão...

ps1: kkk me divirto muito com teus comentários.
ps2: claro, claro.

Vilane V.B.Rios disse...

Com certeza, adorei! E eu já dei até um minicurso na faculdade, pra umas crianças de Nazaré, o tema era Patrimônios materiais e imateriais, e discutíamos justamente com essas crianças a importância de se preservar a cultura, a tradição, AS BRINCADEIRAS, que também são patrimônios, mesmo com a chegada da tecnologia.Espero que elas tenham aprendido alguma coisa.

É possível conservar o velho com a chegada do novo.

Helô Müller disse...

Vc vê, clica, pensa e escreve ........ aliás, bem demais da conta, diga-se de passagem ! rs
Fico pasma como vc com tão pouca idade, e neste mundo de linguagem "messengeriana", que os jovens usam e abusam do que "um dia foi" o nosso português, vc se expresse e escreva tão bem ! Parabéns pra valer!
Acho que de alguma forma esta virtualidade em excesso irá criar um mundo diferente sim! E no meu ponto de vista, apesar dos dois lados da moeda, creio que ambos sairão perdendo sim ...
Não acredito que a não convivência social e a não vivência no mundo "real", possa ser útil a essas mentes em formação ! Só o tempo nos dirá, mas confesso o meu pessimismo ...
Beijos, lindinho !!
Helô

Priscila Rôde disse...

Eu tinha escrito um comentário enorme, mais deu erro e acabou não indo, fiquei triste, não copiei (risos) .
Era mais ou menos isso:
Se eles soubessem o poder que possuem em suas mãos, transformariam o mundo, ou melhor, se eles soubessem o que os esperam , não hesitariam esforços. Os valores se perderam, e as brincadeiras estão mais sérias e mais consequentes.
Obrigada pelo texto, bateu aquela saudade daquele tempo bom demais.

Adorei,
beijos querido.

Sueli disse...

Thiago, cheguei aqui através dos seus comentários no blog do Blá, Blá, Blauth (rs). Também amo fotografia, sou uma eterna amadora nessa arte, mas não saio de casa sem uma câmera na bolsa. Achei interessantíssimo este seu texto, pois penso exatamente a mesma coisa. O mais cruel de tudo isso são as nossas mãos (de pais, avós) atadas. Tenho uma neta de 12 anos que mora comigo. O que fazer? Mesmo que ela saisse para brincar no jardim, não encontraria ninguém para brincar com ela. Todos estariam onde voce falou: em frente a um computador. E não sei se seria justo deixá-la "por fora" como eles costumam chamar quem não faz a mesma coisa. Sim, são tempos difíceis realmente. A força do progresso é muito maior que a boa vontade dos pais (infelizmente). Um bom fim de semana para você.

Philip Rangel disse...

Com certeza Thiago..nao é e somos obrigados ecluir as evoluçoes peloo que ja passou nao..temos de ser concientes a isso...hoje a infancia esta muito desvalorizada....poucas pessoas fazem o que nos fizemos ao passado....lamentavel ne...mas real..
parabens pela sua iniciativa...vc cursa ql curso???

abraçao

Patrícia Kobayashi disse...

Infelizmente a infancia ta acabando mais rapido.
Nossas crianças não sabem o que é subir numa arvore, correr na rua, ralar o joelho, arrancar o tampão do dedão...
As crianças de hj querem só ficar em frente aos computadores e aos televisores... a era digital esta acabando com a diversão dimanica gradativamente...
Otimo texto!!

bjos
bom fds

Stella disse...

Oi! Obrigada pela visita! :)
Sobre a sua pergunta, meu template eu peguei nesse site aqui: http://btemplates.com/ Tem uns muito bons lá. Só que tem o problema da data, que não aparece. Daí eu tive que passar a colocar a data no título das postagens. Fora isso é tudo ótimo. ;)

Ah, eu noto diversas diferenças entre as crianças de hoje e as "da minha época". Mas acho que vai ser sempre assim. A gente sempre vai achar que "na nossa época" as coisas eram melhores e as crianças sabiam aproveitar mais a vida. Minha avó pensa o mesmo da geração da minha mãe. ;)

Beijos, moço.

Iris disse...

Como sempre muito interessante!! Thii, me vi nisso tudo aí, principalmente as tanajuras!! rsrsrsrs.
Agora, imagine um filho seu daqui há uns anos com essa globalização toda, e não querendo mais as brincadeiras saudáveis, só acompanhadas de internet e games eletrônicos! Vc vai enlouquecer!!!!kkkkkkkkkkkk...bjo amore

Minha vida em capítulos disse...

Sou um pouco mais nova que você, mas também já pensei muito sobre esse assunto. Estamos em um momento em que o importante é TER e não SER. As crianças já nõa brincam mais nas ruas, a amizade já nem é tão importante, agora, o que mais importa são os 'contatos'... É uma lástima viver em um mundo assim! Lembro que quando eu era criança 'roubava' as bolinhas de gude do meu mano [14 anos mais velho que eu] para jogar, e me divertia muito jogando na companhia do meu gatinho de estimação =D
Obrigada Maia, por me trazer de volta lembranças tão boas!

Bjão ^^

Priscila Rôde disse...

Em relação ao seu comentário no meu blog: Pode deixar, qualquer coisa eu grito.. hehehe =D
Beijosss

Selenis disse...

Sabes, partilho essa tua preocupação, por cá é o mesmo.
Por outro lado, cada vez têm menos noção de limites e cada vez estão mais mal-educadas. Não sei bem o que vai ser do mundo daqui por umas décadas, com as gerações que estamos a criar agora...

E pois, eu tb estou longe dos 40 :D sem stress

Beijos Thiago

re: eu tinha que reclamar, se ninguém o fizer eles não vão ter noção do descontentamento que causam.

Leonardo almeida disse...

e como seria, otimo texto

comme des habitudes disse...

olá. me chamo leandro e por acaso vi seu blog navegando. achei super interessante. adoro indagações filosóficas, hegel, kant, bodin, foucault . o meu é um misto de história, filosofia e cultura geral. se quiser pode me seguir. abraços!

Tetê disse...

Gentemmmm!!

Acredita que eu não
seguia vc?? Rsss nossa!! corrijido! e ainda quase perco este post? aiiiii...



Mas sabe, Thiago,
seus textos nos levam sempre à reflexão,
cada dia um pouquinho...
cada dia a gente (velha!) cresce um pouquinho tb por aqui!


Abraços!!

IsabelleC. disse...

thiago é o nome do meu irmão
tou escrevendo sobre as casas que já morei
e isso me fez lembrar das grandes coisas que já fiz na vida
como cair de uma escada molhada, depois de roubar bombom da mercearia do meu avô e levar pontos na cabeça
hoje, as mães preferem mesmo que seus filhos caiam no computador
é mais seguro
é menos trabalhoso

lugar com plantas e arvores virou matagal e lugar sem nada pra fazer
peão virou arma pontiaguda
lugar sem fio é lugar sem comunicação
AH! o que restará?!

beiiijooooooooo!
ah e adoro seu flickr, suas cores e suas pessoas

Liciane disse...

Adorei teu texto!!! Em maio tbm escrevi mais ou menos sobre esse assunto. É bem diferente de antigamente e bem preocupante...
Se quiser dar uma olhada
http://letsgo-liciane.blogspot.com/2009/05/tempos-modernos.html

Ótima terça p/ vc!!
Bjsss

Tata disse...

Oi,

Estava passando e resolvi entrar! E que bom que asim o fiz!!! ADOREI seu blog!!!
Vou virar leitora!!!
bjinhos

CHRISTINA MONTENEGRO disse...

Excelente texto!
Só não quero deixar para Deus algum, não!...
Todas as crianças do mundo SÃO NOSSA responsabilidade!...
Suas fotos estão um xptáculo!...
Bjs!

André Rubens disse...

Fala Thiago tudo jóia cara?
Parabéns pelo seu blog, cheguei a esse artigo através de um filtro no meu leitor de feeds.

Achei interessante seu post apesar dele ser completamente inconclusivo e ignorante.

É sempre bom ver pessoas criticando crianças que gostam de jogos eletrônicos, lojas de video games e lan houses sem saber absolutamente nada do que estão falando...

Falar que jogo eletrônico é ato anti-social mostra total desconhecimento do assunto, sem contar que jogos eletrônicos preparam crianças para enfrentar os novos desafios que terão de enfretar no futuro.

Nossa tecnologia evolui mais rápido a cada dia que passa, a informação é transportada e muda com grande velocidade. Jogando jogos eletrônicos atuais e desafiadores, as crianças conseguem treinar suas habilidades para se preparar para desafios novos incomparáveis com os que temos hoje.

Criticar garotas de 11 anos que estão se preparando para night (provavelmente sub-17, ambientes pensados para jovens que não vendem bebidas alcoolicas) ao mesmo tempo que coloca a foto de um homem semi-nu no topo de seu blog é um tanto quanto contraditório não?

Parabéns pela iniciativa! Tenho certeza que no futuro teremos novas postagens mais interessantes!

Um abração!

Nice disse...

Olá,

Sabe, essa leitura me remeteu a uma conversa recente com um amigo que é MUITO especial na minha vida, a conversa rolou no MSN, ontem a noite.... estávamos comentando sobre a extração de minérios e coloquei a minha posição nessa atividade, e ele possui uma visão diferente da minha, em um determinado momento, ele me disse que se sou contra a extração dos minérios, então tbm sou contra a tecnologia, disse pra eu jogar meu secador de cabelo, o lap top, minha maquina fotográfica, já imaginou meu mundo sem essas, digamos, “futilidades” que a tecnologia nos permite?? Painho, vc ta certo, hj as crianças não sabem o que é brincar de bola com a chuteira cheia de lama, não sabem o que é brincar na chuva... tbm sinto falta dessas imagens tão puras e singelas... + quem disse que eles tbm não conseguem ser puros e singelos atrás de uma tela de computador... as nossas crianças, encontram a felicidade na era em que a tecnologia da informação e comunicação expande-se a cada seis meses... afinal, elas (as crianças) estão no mundo do iPhone...Eu qdo criança nao podia vir uma chuva que lá tava eu pulando só de calcinha (rsrsr) até a chuvar passar ou minha mae nme chamar, já na maior bronca, brincava de peteca, bolinha de gude e até de pipa, minha mae dizia que era pra eu te nascido homem (imagina o desperdicio pra humanidade, eu, um homem... so mesmo minha mae)... + se no natal, papai noel nao deixasse a boneca que eu pedia, tinha a maior briga... É uma pena as nossas crianças não terem isso??? Pq não dxamos que elas mesmas nos respondam?

Bjs e cuide-se