sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A história de um amor


Amanheceu, havia um ar gélido e o clima estava propício para uma boa caminhada ao longo do bosque. Os pássaros esvoaçavam ao longo dos primeiros raios de sol, cantando a felicidade de mais um dia de vida. Havia um lago onde sua água era límpida e serena como o olhar de uma criança, contrapondo, havia uma leve neblina que cobria toda a vastidão do mesmo, e adentrava na mata densa ao horizonte, deixando uma sensação de mistério, de enigma. Tirou a manta e a colocou sobre a grama ainda molhada com o orvalho da noite.

A manta logo se acomodou, juntamente com a mochila, que estava carregada de inutilidades: chaveiro, embalagens de balas, papéis antigos com anotações sem nexo, canetas sem tinta, um cachecol fora de moda, umas luvas de pares distintos... Em meio a tanta coisa, havia um livro, um livro que tinha visto na prateleira da biblioteca do colégio. Interessou-se pela capa do mesmo, intitulada “A história de um amor”. Como é algo peculiar, resolveu ver como era aquela história, como ela havia nascido e como ela estava vivendo...

Deitou-se ao longo da manta macia que estava ao pé de uma árvore imponente, uma das que mais chamavam atenção no bosque. Abriu o livro e começou a ler e refletir cada estrofe, cada pedaço do texto que mais se aproximava com a sua vida. Indagava pensamentos, discutia sozinho o que poderia ser mais interessante para o fim da história, ou o decorrer dela, anotava em um diário cada frase mais marcante, mais bonita, mais apaixonada... E assim foi lendo cada página, e ao longo do céu meio nublado, os raios de sol aqueciam um pouco daquela manhã que prometia ser interessante.

A empolgação era veemente, a tal ponto de que o jovem não sentiu a aproximação de um senhor, cabelos brancos, bengala na mão, olhar baixo, pele enrugada, marcas de uma longa vida cheia de lições vividas e presenciadas. O senhor quis saber o que o jovem estava a ler, e ele respondeu que era um livro que contava a história de um amor. O senhor então perguntou se ele tinha um amor pra viver, e foi logo tirando os sapatos desgastados de árduas caminhadas e se sentando ao lado do rapaz, que se sentou também, oferecendo um cafezinho que havia em um velho quente-frio dentro de sua mochila.

O senhor aceitou, e acendeu um charuto, que ficou a baforar uma fumaça fervorosa, que se misturava com a umidade do ar e ia criando imagens que cada um distinguia de um jeito. Ofereceu ao jovem, mas este preferiu ficar só observando mesmo, mas não se importou com o cheiro, até porque aquele tinha um odor diferenciado, chegando a ser gostoso, a certo ponto. O jovem começou, a pedido do senhor, a comentar o que ele já tinha lido. Ele falou que o amor é algo difícil de ser vivido, mas que valeria a pena sim, quando realmente o casal quer, o universo conspira a favor e tudo vai se ajeitando de tal forma que não haja mais nada que possa impedir a felicidade de ambos.

Essa felicidade é cotidiana, leva e trás a paz, o amor, a paixão, o respeito. E o respeito é o pai de todo um relacionamento. É dele que vem a fidelidade, a confiança, o carinho verdadeiro, o afeto, a vontade de cuidar incondicionalmente do próximo, do companheiro, do seu amor... Tem que haver uma reciprocidade, aquela que cativa e faz por onde haver uma alma só, única, habitando dois corpos. E o senhor deu mais umas baforadas e mandou o jovem prosseguir. O jovem, empolgado com a situação [e surpreso, ao mesmo tempo, por está tão à vontade com alguém que nem conhecia] prosseguiu seus pensamentos.

Contou para o senhor que havia conhecido uma garota, morena, cabelos encaracolados, olhos verdes, sorriso cativante, que possuía um cheiro que deixaria a mais bela das primaveras morrendo de inveja. Assumiu que tinha sentido um amor incondicional por ela desde o primeiro contato, e que aquilo, acima de tudo, era recíproco e que estavam a viver em um mundo encantado, tudo acontecendo na mais gostosa das simplicidades, do jeito que muita gente sonhava e poucos tinham o privilégio de viver.

O jovem perguntou ao senhor se ele era casado. O senhor ficou quieto, seu olhar proferiu um eloquente sentimento, extrapolou os campos dos pensamentos e passou ao campo das expressões. Suas pálpebras se encolheram, ele fitou o jovem e com um singelo tapinha nas costas, disse: - Meu filho, o amor já habitou esse meu coração, inúmeras vezes. Na vida, ao contrário do que dizem por aí, é possível amar mais de uma vez. Basta que você se permita a isso, basta que você renove seu ser a cada manhã, do mesmo jeito que esses pássaros acordam e cantam, agradecendo mais um momento de vida nesse mundo.

É um propósito de Deus, amar, e é preciso abdicar de certas coisas em prol de outras; eis aí um grande diferencial de muitos casais que dão certo e que não dão certo: não põem na balança se vale a pena substituir certas coisas, certas rotinas e atitudes, em prol do amor que sentem. O jovem ficou a observar aquele olhar profundo que o senhor o lançava, mas que na verdade não tinha foco, era apenas um ponto no infinito que ele usava como conforto para lembrar-se de tudo o que havia passado em sua longínqua vida.

Para que o amor flua com toda a força que ele necessita, é preciso fazer algo: é preciso que você exorcize todos os seus medos, todos os seus anseios e pontos frágeis que surgiram no passado e que, involuntariamente você os carrega no decorrer dos seus dias, das suas relações, dos seus sentimentos, disse o senhor. É preciso se libertar dos males que prejudicam uma boa relação. Esses males servem de exemplo, de lição de vida, mas têm que ficar no passado, não podem interferir no atual relacionamento. Quando isso acontece, algo está errado e é preciso ser consertado a tempo, pra que haja uma perfeita sincronia entre o casal.

Liberte-se, meu jovem, e seja completamente feliz ao lado de quem você ama! Deus lhe deu a dádiva da vida, deu a oportunidade de você acordar todo dia e ter alguém que te ame com todas as forças possíveis, que te protegerá, que te ajudará a trilhar os melhores caminhos, sempre! O senhor pegou a mão do jovem, abriu-a, e deixou um presente sobre ela. A mão foi fechada e esse segredo foi compartilhado somente entre os dois, e só poderia ser entregue pra mulher dos olhos verdes e sorriso apaixonante em um momento certo, e que não demoraria a acontecer. A paciência é uma dádiva dos sábios.

Logo após isso, o senhor se levantou, e seu charuto tinha terminado. Calçou seus sapatos proporcionais à sua vida, levantou-se, admirou os raios de sol que penetravam na limpidez da água calma do lago, pegou sua bengala, se despediu do jovem e partiu em retirada, caminhando lentamente, sem pressa, como se nada no mundo fosse acontecer por tão cedo. O jovem foi guardar o seu livro naquela mochila surrada, e ao olhar novamente para o caminho percorrido pelo senhor, não o viu mais.

Espantado, levantou e seguiu-o... Mas sem sucesso, o havia perdido de vista. Nunca mais o jovem viu o senhor. Ele retornou pra onde sua manta estava, a enrolou, colocou na mochila, olhou no relógio e já era 7:40h. Tinha que ir, tinha que encontrar a mulher da sua vida e fazer por onde os ensinamentos daquele misterioso senhor, que apareceu do nada e do mesmo jeito se foi.


6 comentários:

Beta disse...

Adoreiii!
parabéns pelo post kerido
Foto linda tb!!

Desculpe , mas "roubei a ultima imagem"
Beijos

@febrandao disse...

felicidade, sempre.

Anônimo disse...

Il semble que vous soyez un expert dans ce domaine, vos remarques sont tres interessantes, merci.

- Daniel

Hugo de Oliveira disse...

Brilhante viu. Bonita história de amor.


abraços
de luz e paz

Rubervânio Rubinho Lima disse...

prezado...
Obrigado pela passadinha no nosso bloguinho.
O seu espaço tá bacana e os textos muito bons.
Esse grupo é de Paulo Afonso, Bahia e estará se apresentando aqui mesmo.
Vale a pena ver o stund up dos caras....

Rubervânio Rubinho Lima disse...

só complementando, estamos contactando com uma amiga de petrolina e vendo a possibilidade de ela conseguir levar o grupo Humor Ereto para aí...