sexta-feira, 19 de junho de 2009

Alguém me explica: “O que eu fiz?”


Alguém me explica: “O que eu fiz?”

AH! O quanto eu era feliz... Eu adorava a minha família, mesmo passando a maior parte do tempo com a minha madrasta. Ela poderia muito bem suprir algumas funcionalidades da minha mãe biológica, mas acontece que demonstrava uma raiva muito aguçada por esta, sentimento esse esboçado e atenuado por um outro que, se não controlado em suas devidas proporções, se torna doentio e destrutivo: o ciúme. Meu pai aparentava ser uma pessoa legal, amistosa, amável, que poderia ajudar-me a construir um futuro estável e feliz. Mas parece que sua sina mudou quando ele ameaçou minha mãe e minha avó de morte. Seja lá o que elas tivessem feito, não é uma atitude nada humana insinuar roubar uma vida, uma dádiva que Deus atribuiu aos seres mortais, através de toda a sua glória! Kalled Hosseini, em seu livro “O Caçador de Pipas”, diz que o único pecado existente é roubar. Quando você mente, rouba o direito de alguém de saber a verdade, quando você mata, rouba o direito de alguém viver, de participar do convívio pacífico nesse mudo tão belo e complexo. Sendo assim, meu pai poderia até não cometer tal pecado, mas teria no mínimo, alguma intenção acomodada no seu obscuro e conturbado “eu”. Mas no fim, ele teria tal coragem... Infelizmente... Saímos pra ir à rua, aparentemente um dia normal, com suas turbulências e contradições, descontração e familiaridade. Fomos a vários lugares, eu, meu pai, minha madrasta e meu irmão, Pietro. Tudo estava se apresentando de uma maneira cotidiana, como já havia sido diversa outras vezes. Mas na volta pra casa algo acontece de errado. De repente sinto uma pancada... Sangue... Discussão... Fico confusa, atordoada, perplexa, desacordada... Volto a si, já dentro do apartamento, sangue, bate boca, fico imaginando que se vizinhos estejam escutando, o bate boca prossegue, gritos... Eu grito, peço socorro, ninguém atende... Minha vista escurece, estou sendo asfixiada... Desmaio... A mais cruel de todas as atitudes está prestes a ser cometida. A rede da varanda é rasgada. MEU DEUS!!! Meu pai, que me colocou no mundo, agora está pretendendo me retirar dele, e sem nem avisar o porquê e nem pedir licença! Hilário, não??? Sou lançada do 6º andar do prédio onde morava. Alguns segundos de queda livre e dentre essa fração de tempo passa um filme em minha cabeça. Um curta metragem, já que estou pra morrer prestes a completar 6 anos de idade. Lembro de minha mãe... Ah, minha mãe... Nem terei tempo pra te dar um beijo, fazer um carinho, um cafuné, dizer que te amo... Minha mãe não tem nada a ver com isso [e nem eu tenho], mas será a pessoa que mais sofrerá. Meu s amigos da escola, a peça teatral que apresentei, meus tios, avós, primos, amigos... Todo mundo vai sentir minha falta... Com certeza. Não deu tempo pra pensar mais. Caio em um coqueiro antes de me esbarrar com toda a força no gramado no jardim. Estou morta! Fim de uma vida, vida essa que poderia ser bastante próspera, cheia de realizações e muito feliz... Fico a me perguntar dezenas de coisas: como meu pai está se sentindo? Será que vão descobrir? E a pergunta que não quer calar:

ALGUÉM ME EXPLICA O QUE EU FIZ?


por Isabella Nardoni


Texto e foto: Thiago Maia
Mais fotos em: www.flickr.com/thyagumayah

5 comentários:

Teórico disse...

Interessante texto Thiago, mas fiquei aqui ponderando... será que esses seriam mesmo os questionamentos dela? creio que não.

Sob o olhar de uma criança tudo é muito diferente. Mas valeu pela reflexão sobre um crime tão atroz.

Thiago Maia disse...

Verdade Teórico... creio que tais pensamentos nem são pertinentes a uma criança daquela idade. mas quis passar o que muita gente se perguntou por muito tempo [e ainda se pergunta], aliado ao que aconteceu em momentos precedentes o fato. obrigado pelo comentário.

Calila das Mercês disse...

Nossa...
Que forte isso hein Thiago!
Isto foi uma das novelas reais mais chocantes que a mídia mostrou. Muito triste!

Gostei muito do seu blog...
Voltarei aqui!

=)

Saudações

Flor disse...

É. não gosto de lembrar. Não gosto de pensar nela. E nenhuma criança que tenha morrido.

Beijo grande.
P.S.:Acho que concordo com a primeiro cara.

Nice disse...

Meu lindo...

Que Deus abençoe as nossas crianças, e que nós adultos,possamos kda vez +, aceitar a paz de Deus em nossos corações.... falta Cristo no coração do povo.

Abraços